quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

6ème - A Civilização Egípcia: o além

A MUMIFICAÇÃO

     Os Egípcios acreditam que uma outra vida começa depois da morte. Mas para que o defunto permaneça imortal, o seu corpo deve conservar a aparência que tinha quando estava vivo.
O embalsamamento. Por vezes, um dos sacerdotes que preside ao embalsamamento usa a máscara de Anúbis.

Por que o corpo deve conservar a sua aparência?
Os Egípcios acreditam que todos os homens possuem uma alma, o Ba, e um duplo invisível, o Ka. Depois da morte, o Ba e o Ka abandonam regularmente o corpo do defunto, viajam e depois regressam ao cadáver. Se o corpo se decompõe, o Ba e o Ka vagueiam sem cessar à sua procura e o morto não pode aceder à vida eterna no Além.

Como é conservado o corpo?
Os Egípcios tinham-se apercebido que quando os corpos dos seus defuntos eram enterrados no deserto, o calor da areia secava a carne. O cadáver conservava assim a sua aparência e não se decompunha. A arte de embalsamar e de mumificar consiste em reproduzir esse fenómeno natural utilizando natrão, um sal que se encontra em abundância no solo do Egito.

A preparação do corpo
O embalsamador extrai o cérebro do crânio com o auxílio de um ferro recurvado que introduz pelas narinas. Por uma incisão feita no ventre retira as vísceras: os pulmões, o fígado, o estômago e os intestinos. Cada um desse órgãos é cuidadosamente envolvido num pano de linho e depositado num vaso canopo. O coração, que é considerado como a parte do corpo na qual se situam os pensamentos e os sentimentos, é retirado, embalsamado e colocado de novo no tórax. Às vezes, é substituído por um escaravelho de pedra em forma de coração.

Vasos canopos. Museu do Louvres, França.

A mumificação
A desidratação do corpo dura cerca de 70 dias, durante os quais o corpo é colocado num banho de natrão. Esse sal mineral retira a água contida na carne. Quando o cadáver está suficientemente seco, o embalsamador limpa-o com óleo, pomadas, especiarias e resina de pinheiro. Enche a cabeça e o corpo de linho e serradura de madeira e depois fecha o corte feito no lado e cobre-o com uma folha de cera de abelha. No lugar dos olhos são colocados pedaços de linho, cera ou pequenas cebolas. Os dedos das mãos e dos pés são por vezes protegidos com folhas de ouro.



Amuletos nas ligaduras
A múmia é em seguida envolta num pano e depois rodeada por ligaduras de linho, unidas umas às outras por outras tiras mais estreitas. Durante esta operação, são introduzidos amuletos nas ligaduras em determinados locais do corpo. O rosto é coberto por uma máscara com a efígie do defunto. A dos faraós é em ouro, os egípcios mais modestos contentam-se com ligaduras de linho e folhas de papiro coladas umas às outras e cobertas de gesso. São colocadas flores e folhas de palmeira sobre o corpo.

Múmia de Ramsés II. Museu do Cairo, Egito. Encontrada no século XIX em perfeito estado de conservação, a múmia de Ramsés II,  vítima de um fungo de cogumelo ao contacto do ar moderno, quase se destruía. Foi salva pela ciência em 1977. 
Os sarcófagos
Durante o Império Antigo, os sarcófagos têm uma forma retangular e são talhados em madeira, no entanto os dos faraós são de granito. A partir do Império Médio, têm a forma de um corpo humano e são construídos com uma espécie de cartão feito com folhas de papiro.

Sarcófago secundário do faraó Tutancamon. Museu do Cairo, Egito.

A PESAGEM DA ALMA

     Os Egípcios pensam que, para aceder ao reino dos mortos, o defunto deve passar pela temível prova da pesagem da alma. Se o seu coração for mais pesado do que a pluma de Maet, será devorado.

O tribunal de Osíris
Conduzido pelo deus Hórus, o defunto é levado junto de Osíris. Sentado no seu trono e rodeado por 42 juízes, Osíris, o deus do Além, preside à cerimónia da pesagem da alma. O defunto deve em primeiro lugar jurar que não cometeu nenhum pecado no decurso da sua vida, que nunca fez mal, que nunca roubou,… Tot, o deus dos escribas, anota as suas respostas.

A pesagem do coração
Para saber se o defunto disse a verdade, o seu coração é colocado num dos dois pratos de uma balança. No outro é colocada a pluma de Maet. Anúbis vigia a pesagem. Se os pratos se equilibram, está provado que o defunto agiu bem. O coração é-lhe restituído e pode entrar no reino dos mortos. Se, pelo contrário, a balança pende para o lado do coração, Ammut, monstro com cabeça de crocodilo, corpo de leão e patas traseiras de hipopótamo, apodera-se do coração e devora-o. O defunto sofre então o pior dos castigos, não chegará ao Além.

O tribunal de Osíris. Papiro de Hunefer. Museu Britânico, Inglaterra.
O que acontece ao defunto no reino dos mortos?
Durante o dia, permanece no seu túmulo. Entretanto, o seu Ba (alma) viaja e visita a sua família, À noite, o defunto sobe para a barca de Ré e de manhã regressa ao seu túmulo, alimenta-se e repousa. Todos os Egípcios desejam atingir o reino de Osíris depois da sua morte.



ALGUMAS PERGUNTAS
1. Explica, por palavras tuas, como são conservados os corpos dos defuntos.
2. Para que servem os vasos canopos?
3. Descreve, com as tuas próprias palavras, a cerimónia da pesagem da alma.

Escravos e escravatura em Portugal

Punição de um escravo
(gravura de Jean-Baptiste Debret, in Voyage pittoresque et historique au Brésil, 1834-39) 
CLIQUE AQUI
História a História: "Escravos e escravatura em Portugal"
(ou em vimeo.com/145862037)

PERGUNTAS:
1. Indica a data e o local da primeira partilha de escravos em Portugal.
2. Quais eram as três praças de mercado usadas, em Lisboa, para o comércio de escravos.
3. Que grupos populacionais estavam proibidos de possuir escravos em Portugal? Porquê?
4. Qual é a percentagem de escravos apontada pelos historiadores em Lisboa, no século XVI.
5. Qual é a origem da rua do Poço dos Negros?
6. O que é uma carta de alforria?
7. O que significa a alforria testamentária?
8. Quem, no século XVI, ordenou a conversão dos escravos ao Cristianismo?
9. Quem é o autor das primeiras leis abolicionistas, em Portugal? Em que século?
10. Refere a data da abolição total da escravatura em Portugal. E no Brasil?