quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

6ème - A Civilização Egípcia: o papiro

O PAPIRO, A PLANTA QUE SERVE PARA TUDO


     O papiro serve para confecionar as folhas de papel sobre as quais os escribas escrevem. Mas esta planta, símbolo do Egito dos faraós, tem inúmeras utilizações.



Onde crescem os papiros?

Desenvolvem-se nas zonas pantanosas. São particularmente abundantes no delta do Nilo. As suas hastes, de forma triangular, têm a grossura de um braço. Atingem três a quatro metros de altura. Na extremidade, as folhas formam uma larga corola.
A planta do papiro (cyperus papyrus)


A colheita
Começa quando as hastes são suficientemente altas mais ainda flexíveis. Os operários cortam os papiros sem arrancar as raízes. Trabalham na lama, tendo cuidado com as cobras, crocodilos e hipopótamos. Reunidos em molhos, os papiros são em seguida transportados no dorso de bois ou de burros.
Os molhos de papiro eram usados no fabrico de barcas.
Útil para a confeção de barcas
Não há florestas no Egito e a madeira importada é reservada à construção de grandes navios. As barcas são portanto fabricadas com feixes de papiros ligados entre si. As velas e os cordames são também tecidos com papiros.

Como se obtém papel a partir de papiros?
A casca é retirada e a medula (o coração) é cortada em finas lamelas (1 e 2), que são esmagadas com um maço. Depois de terem sido demolhadas em água para amolecerem, as finas tiras obtidas são estendidas a direito e depois cobertas com uma segunda camada disposta no sentido contrário (3). A folha é em seguida abundantemente molhada e bem martelada (4 e 5). Dessa forma, a seiva da planta cola solidamente as tiras entre si. Resta apenas deixar secar esta folha para que ela esteja pronta para ser utilizada (6). As folhas são depois muitas vezes reunidas umas às outras a fim de formarem rolos.
A preparação das folhas de papiro
Um papel resistente
A folha de papiro tem numerosas qualidades: é flexível, enrola-se sem se rasgar, não absorve a tinta e conserva-se muito tempo. Mas essas belas folhas são caras porque demoram muito a fabricar. Os escribas só as utilizavam para copiar textos importantes. Foram encontrados papiros perfeitamente conservados após vários milhares de anos.

Papiros para iluminar, para vestir, para mobilar e para comer!
As hastes secas servem para alimentar o fogo ou construir cabanas. A medula é utilizada como mecha de archote para iluminar. Com a casca, os Egípcios entrançam cestos, esteiras, saiotes, sandálias, gaiolas e os passadores. As hastes jovens são comidas em salada, a medula é assada no forno. Em contrapartida, não se podem dar as folhas aos animais porque são cortantes.

O papiro na arte
Os talhadores de pedra inspiraram-se na forma dos papiros para desenharem e esculpirem as colunas dos templos. Os artistas egípcios representam-nos muitas vezes nas suas pinturas e esculturas.
Colunas com capitéis em forma de papiro (Templo de Hórus, Edfu)
Um símbolo de juventude
O papiro é o símbolo do rejuvenescimento, juventude e da alegria. Faz parte das oferendas apresentadas à divindade com cabeça de vaca, Hator, deusa associada à alegria e ao amor.

ALGUMAS PERGUNTAS
1. No Egito, onde crescem os papiros?
2. Descreve, com palavras tuas, a planta do papiro.
3. Indica três utilizações dadas ao papiro.
4. Porque razão os Egípcios utilizam papiro para construir os seus barcos?

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

6ème - A Civilização Egípcia: o além

A MUMIFICAÇÃO

     Os Egípcios acreditam que uma outra vida começa depois da morte. Mas para que o defunto permaneça imortal, o seu corpo deve conservar a aparência que tinha quando estava vivo.
O embalsamamento. Por vezes, um dos sacerdotes que preside ao embalsamamento usa a máscara de Anúbis.

Por que o corpo deve conservar a sua aparência?
Os Egípcios acreditam que todos os homens possuem uma alma, o Ba, e um duplo invisível, o Ka. Depois da morte, o Ba e o Ka abandonam regularmente o corpo do defunto, viajam e depois regressam ao cadáver. Se o corpo se decompõe, o Ba e o Ka vagueiam sem cessar à sua procura e o morto não pode aceder à vida eterna no Além.

Como é conservado o corpo?
Os Egípcios tinham-se apercebido que quando os corpos dos seus defuntos eram enterrados no deserto, o calor da areia secava a carne. O cadáver conservava assim a sua aparência e não se decompunha. A arte de embalsamar e de mumificar consiste em reproduzir esse fenómeno natural utilizando natrão, um sal que se encontra em abundância no solo do Egito.

A preparação do corpo
O embalsamador extrai o cérebro do crânio com o auxílio de um ferro recurvado que introduz pelas narinas. Por uma incisão feita no ventre retira as vísceras: os pulmões, o fígado, o estômago e os intestinos. Cada um desse órgãos é cuidadosamente envolvido num pano de linho e depositado num vaso canopo. O coração, que é considerado como a parte do corpo na qual se situam os pensamentos e os sentimentos, é retirado, embalsamado e colocado de novo no tórax. Às vezes, é substituído por um escaravelho de pedra em forma de coração.

Vasos canopos. Museu do Louvres, França.

A mumificação
A desidratação do corpo dura cerca de 70 dias, durante os quais o corpo é colocado num banho de natrão. Esse sal mineral retira a água contida na carne. Quando o cadáver está suficientemente seco, o embalsamador limpa-o com óleo, pomadas, especiarias e resina de pinheiro. Enche a cabeça e o corpo de linho e serradura de madeira e depois fecha o corte feito no lado e cobre-o com uma folha de cera de abelha. No lugar dos olhos são colocados pedaços de linho, cera ou pequenas cebolas. Os dedos das mãos e dos pés são por vezes protegidos com folhas de ouro.



Amuletos nas ligaduras
A múmia é em seguida envolta num pano e depois rodeada por ligaduras de linho, unidas umas às outras por outras tiras mais estreitas. Durante esta operação, são introduzidos amuletos nas ligaduras em determinados locais do corpo. O rosto é coberto por uma máscara com a efígie do defunto. A dos faraós é em ouro, os egípcios mais modestos contentam-se com ligaduras de linho e folhas de papiro coladas umas às outras e cobertas de gesso. São colocadas flores e folhas de palmeira sobre o corpo.

Múmia de Ramsés II. Museu do Cairo, Egito. Encontrada no século XIX em perfeito estado de conservação, a múmia de Ramsés II,  vítima de um fungo de cogumelo ao contacto do ar moderno, quase se destruía. Foi salva pela ciência em 1977. 
Os sarcófagos
Durante o Império Antigo, os sarcófagos têm uma forma retangular e são talhados em madeira, no entanto os dos faraós são de granito. A partir do Império Médio, têm a forma de um corpo humano e são construídos com uma espécie de cartão feito com folhas de papiro.

Sarcófago secundário do faraó Tutancamon. Museu do Cairo, Egito.

A PESAGEM DA ALMA

     Os Egípcios pensam que, para aceder ao reino dos mortos, o defunto deve passar pela temível prova da pesagem da alma. Se o seu coração for mais pesado do que a pluma de Maet, será devorado.

O tribunal de Osíris
Conduzido pelo deus Hórus, o defunto é levado junto de Osíris. Sentado no seu trono e rodeado por 42 juízes, Osíris, o deus do Além, preside à cerimónia da pesagem da alma. O defunto deve em primeiro lugar jurar que não cometeu nenhum pecado no decurso da sua vida, que nunca fez mal, que nunca roubou,… Tot, o deus dos escribas, anota as suas respostas.

A pesagem do coração
Para saber se o defunto disse a verdade, o seu coração é colocado num dos dois pratos de uma balança. No outro é colocada a pluma de Maet. Anúbis vigia a pesagem. Se os pratos se equilibram, está provado que o defunto agiu bem. O coração é-lhe restituído e pode entrar no reino dos mortos. Se, pelo contrário, a balança pende para o lado do coração, Ammut, monstro com cabeça de crocodilo, corpo de leão e patas traseiras de hipopótamo, apodera-se do coração e devora-o. O defunto sofre então o pior dos castigos, não chegará ao Além.

O tribunal de Osíris. Papiro de Hunefer. Museu Britânico, Inglaterra.
O que acontece ao defunto no reino dos mortos?
Durante o dia, permanece no seu túmulo. Entretanto, o seu Ba (alma) viaja e visita a sua família, À noite, o defunto sobe para a barca de Ré e de manhã regressa ao seu túmulo, alimenta-se e repousa. Todos os Egípcios desejam atingir o reino de Osíris depois da sua morte.



ALGUMAS PERGUNTAS
1. Explica, por palavras tuas, como são conservados os corpos dos defuntos.
2. Para que servem os vasos canopos?
3. Descreve, com as tuas próprias palavras, a cerimónia da pesagem da alma.

6ème - A Civilização Egípcia: a vida quotidiana

VESTIR-SE, LAVAR-SE E MAQUILHAR-SE

     Os Egípcios vestem-se ligeiramente: um saiote para os homens, um vestido para as mulheres. Ricos ou pobres, usam jóias que são acima de tudo amuletos.

Vestuário de linho branco
O vestuário é confecionado em linho. Trata-se de um tecido fresco quando está muito calor e quente quando faz mais frio. A lã é usada muito raramente porque é de origem animal e considerada impura. O tecido é quase sempre branco: os Egípcios utilizam, com efeito, poucos corantes. Alegram o seu aspeto com colares de flores, jóias e contas cosidas.
A moda egípcia

Saiotes e vestidos
Os homens vestem geralmente um saiote seguro na cintura por um simples cordão para os mais pobres e por um belo cinto para os mais abastados. Usam por vezes saias e túnicas. As mulheres envergam vestidos muito justos, presos nos ombros por finas alças. No Império Novo, os vestidos são mais largos e cobertos por uma túnica. As indumentárias de festa distinguem-se pela delicadeza do seu tecido quase transparente e pela elegância das suas pregas.

Pés descalços ou com sandálias?
Os Egípcios só se calçam no interior das casas. No exterior, andam quase sempre descalços, com as sandálias de papiro, ráfia ou junco presas ao cinto ou transportadas por um servo.

Como se lavam os Egípcios?
Devido ao forte calor, os Egípcios lavam-se todos os dias. Nas casas mais ricas, é reservado um compartimento para a sua higiene. O sabão não existe, os Egípcios utilizam um sal extraído do solo ou uma mistura de cinzas e argila. Depois de se terem lavado, homens e mulheres nutrem o corpo com pomadas que amaciam a pele e perfumam-se com essências vegetais.

A arte do penteado
Os homens barbeiam-se com cuidado e mandam cortar o cabelo regularmente. No Império Novo, as mulheres têm os cabelos compridos. Nos dias de festa, tanto uns como outros usam perucas perfumadas e compostas por cabelos verdadeiros ou fibras vegetais.

Pente em marfim do faraó Ouadji. Museu do Cairo, Egito.
Uma maquilhagem cuidada
Os homens e as mulheres, e às vezes mesmo as crianças, maquilham-se. Desenham o contorno dos olhos com um traço de khol negro e pó verde extraído da malaquite (um mineral dessa cor). As faces e por vezes os lábios são pintados de vermelho obtido a partir de pós naturais misturados com óleo. A hena, fabricada com uma planta seca e reduzida a pó, é utilizada para tingir os cabelos, as unhas, a palma das mãos e a dos pés. Estas maquilhagens exigem substâncias, por vezes raras, provenientes de longe e que são caras.

As jóias
Todos os Egípcios se adornam com jóias que são supostas protegê-los contra os perigos da vida e, em especial, da má sorte. Os colares mais simples são constituídos por um cordão com uma pequena concha. Os mais ricos usam jóias muito delicadas adornadas com pedras preciosas (lápis-lazúli, turquesa, ametista,…), marfim, prata ou contas de vidro. Os ourives cinzelam anéis, pulseiras, argolas, brincos,...
Colar de Senefer. Museu do Louvres, França.

ALGUMAS PERGUNTAS
1. Com que tipo de material eram confecionadas as roupas dos Egípcios?
2. Explica, por palavras tuas, como se lavavaml os Egípcios.
3. Nos dias de festa, que tipo de penteado usavam?
4. Que materiais são usados pelos ourives?

6ème - A Civilização Egípcia: os hieróglifos

OS HIERÓGLIFOS, IMAGENS PARA ESCREVER
     Os Egípcios não inventaram a escrita. Esta nasceu por volta de 3300 a.C., na Mesopotâmia, a leste do Egito. Os hieróglifos egípcios surgem um pouco mais tarde, cerca de 3100 a.C.

Imagens retiradas da vida quotidiana
A escrita egípcia é constituída por desenhos chamados hieróglifos. Cada um deles foi criado a partir de elementos presentes na vida: um homem, um olho, um pato, uma pena, um junco, um barco, a água, o céu, uma corda,… Durante o Império Antigo, existem cerca de 750 sinais diferentes. Com o correr dos séculos, os escribas acrescentam-lhes novos. Na época de Cleópatra, atingem o número de 2500!


Uma leitura complicada
A escrita egípcia é difícil de ler porque os hieróglifos podem indicar um sentido ou um som. Uma mesma figura pode ser utilizada de várias maneiras. O desenho de um pato, por exemplo, pode querer significar a palavra pato ou um som que entra na composição de uma palavra, mas pode também fazer parte de uma expressão.
Hieróglifos, Templo de Kom Ombo, Egito.

Como decifrar um sinal?
Par saber se um sinal é utilizado como um som ou como uma palavra, os escribas colocam o desenho de um pequeno bastão ao Aldo do sinal: indica que o hieróglifo do pato, por exemplo, representa a palavra pato. Se não houver bastão, é um som. Mas há outra dificuldade: o sinal do pato, associado a outro sinal, pode modificar o sentido.

O sentido da leitura
Outro problema da escrita egípcia: escreve-se e lê-se da esquerda para a direita, ou o inverso, e de cima para baixo, ou o contrário! Para detetar o sentido da leitura é necessário observar como são desenhados os sinais.

Uma escrita sagrada
De acordo com os Egípcios, teria sido o deus Tot a trazer a escrita aos homens. Os hieróglifos têm portanto um caráter sagrado. São reservados aos textos religiosos que figuram nos templos e nos túmulos.

Os hieróglifos decifrados
Cerca de 400 d.C., os templos são fechados. Os sacerdotes desaparecem. Mas ninguém sabe ler a escrita sagrada dos Egípcios. É necessário esperar quinze séculos e a descoberta da Pedra de Roseta… Um oficial de Napoleão Bonaparte descobre esta pedra em 1799, no porto de Roseta, no delta do Nilo. Esta estela comporta um decreto do faraó Ptolomeu V. O texto está redigido em duas línguas, o grego e o egípcio, e em três escritas, o grego antigo, os hieróglifos, e a escrita demótica (uma simplificação da escrita hieroglífica). Em 1822, Jean-François Champollion, um especialista da civilização egípcia, apresenta uma tradução do texto contido na pedra, e por conseguinte uma interpretação dos hieróglifos egípcios. Champollion usa para isso uma cartela real de Ramsés II. Compreende então que os hieróglifos podem ser utilizados pelo seu símbolo ou pelo seu som.
A pedra de Roseta. Museu Britânico, Inglaterra.
Jean-François Champollion, por Auguste Bartholdi, 1875, Collège de France, Paris.


ALGUMAS PERGUNTAS

1. O que indicam os hieróglifos?
2. Explica como são lidos os hieróglifos?

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Efemérides da História Lusófona: #8 A proclamação da República (5 de outubro de 1910)

– Viva a República! A Monarquia chega ao fim –
     O assassínio do rei D. Carlos e do príncipe herdeiro D. Luís Filipe, em 1908, marcou o princípio do fim da Monarquia em Portugal. O novo rei, D. Manuel II, teve de assumir o trono com apenas 18 anos, não estando preparado para as funções de monarca. D. Manuel tentou acalmar o ambiente tenso e agitado que se vivia. Demitiu João Franco, até então chefe do governo, considerado responsável pela insatisfação que levara ao regicídio e nomeou um governo constituído pelos vários partidos apoiantes da Monarquia. Mas o ambiente político estava cada vez mais instável e os partidos monárquicos envolviam-se em lutas que pareciam não ter fim. Entretanto, o Partido Republicano ganhava apoio e venceu mesmo as eleições para o Município de Lisboa, em novembro de 1908. Os escândalos sobre a atividade dos governos sucediam-se, muitas vezes exagerados pela imprensa simpatizante dos republicanos. Em 1909, o rei procurou obter apoios para o regime monárquico, em especial junto do rei de Inglaterra, Eduardo VII, mas sem sucesso.


D. Manuel II, ultimo rei de Portugal

     Por fim, o inevitável aconteceu. No dia 4 de outubro de 1910, às primeiras horas da manhã, começou a revolução. Tropas republicanas ocuparam a Rotunda, em Lisboa, e uma posição próxima do Palácio das Necessidades, no bairro de Alcântara, residência do rei D. Manuel II. Os revoltosos conseguiram também que três navios de guerra ancorados no Tejo aderissem à causa republicana, chegando mesmo a bombardear o palácio real. Depois de um dia de muita ansiedade, no dia 5 os republicanos conseguiram triunfar. A República foi proclamada por José Relvas, um dos principais líderes republicanos, na varando do edifício da Câmara de Lisboa.
A proclamação da República da varanda da Câmara Municipal de Lisboa, a 5 de outubro de 1910


A primeira página do jornal O Século, de 6 de outubro de 1910

    D. Manuel II tinha partido para Mafra para libertar a sua guarda pessoal para o combate aos revoltosos. Após saber do triunfo da revolução, dirigiu-se à Ericeira, onde embarcou no iate real Amélia. Acompanhando da mãe e da avó, partiu para o exílio para Inglaterra. Tinha acabado a Monarquia em Portugal.
Alegoria da proclamação da República Portuguesa.
Litografia de Cândido da Silva.

– Machado Santos –
     António Maria de Azevedo Machado Santos nasceu em Lisboa, em 1875, filho de um pequeno comerciante. Em 1891 (o ano da revolta republicana no Porto), alistou-se na Marinha, seguindo a carreira na Administração Naval, chegando a segundo tenente. Politicamente, foi militante de movimentos de esquerda monárquica, aproximando-se depois dos republicanos. Opôs-se ao governo ditatorial de João Franco e tornou-se membro da Carbonária, uma organização secreta que pretendia derrubar o regime monárquico, se necessário pela força das armas. Machado Santos foi um conspirador eficiente que conseguiu mobilizar para a causa republicana vários jovens recrutas. Quando se preparou a revolta de outubro de 1910, era uma das figuras principais. Na madrugada de 4 de outubro, apesar de alguma descoordenação entre os dirigentes republicanos, Machado Santos, após tomar os quartéis de Infantaria 16 e Artilharia 1, dirigiu-se para a Rotundo, no topo da avenida da Liberdade. Durante todo o dia resistiu aos ataques das tropas leais à Monarquia, sendo um dos poucos líderes revoltosos que não abandonou a sua posição. A sua determinação foi fundamental para o triunfo dos republicanos. Na manhã do dia 5 de outubro, foi proclamada a República Portuguesa. Apesar de ser um dos principais responsáveis pelo triunfo republicano, Machado Santos opôs-se depois à maioria dos governos republicanos por não concordar com muitos dos políticos que os integravam. Foi assassinado por rebeldes monárquicos em outubro de 1921.
António Machado Santos, herói da revolução de 5 de outubro.

– A Rotunda –
     Este local estratégico na cidade de Lisboa foi da maior importância para o triunfo da revolução republicana. Situada no topo da avenida da Liberdade, a Rotunda controlava o acesso à parte alta da cidade. O plano republicano era reunir às tropas que tomaram a Rotunda os marinheiros dos navios de guerra que aderiram à revolta. O objetivo era isolar as tropas monárquicas do Quartel do Carmo.
Membros da Carbonária nas barricadas da Rotunda.

     As primeiras horas da revolta trouxeram notícias pouco animadoras e muitos oficiais republicanos, receando que a operação falhasse, decidiram abandonar a Rotunda. Mas as tropas lideradas por Machado Santos e auxiliadas por muitos civis membros da Carbonária mantiveram-se no local. A resistência a posição da Rotunda foi assim essencial para o triunfo da revolução.

– Os Novos símbolos –
     O novo regime republicano escolheu novos símbolos nacionais para marcar a diferença em relação à monarquia. A bandeira azul e branca foi substituída. Um concurso é lançado e várias propostas de bandeira são apresentadas.
As propostas de bandeira nacional apresentadas em 1910.

     Em 1911, o novo estandarte nacional recebe aprovação constitucional: vermelho, para lembrar a conquista, a vitória e o sangue; verde, cor da esperança, simbolizando a importante mudança então vivida no país; a esfera armilar, apanágio dos Descobrimentos; as cinco quinas, homenageando os defensores da independência portuguesa durante a História; os sete castelos, representativos da fundação da nação portuguesa.
O projeto adotado. A atual bandeira nacional.

     Além da bandeira, o governo republicano adotou também uma nova moeda, o escudo, e um novo hino – A Portuguesa, a marcha composta em 1890 em resposta ao Ultimato Inglês.
Moeda de 1 escudo (1916)


Para saber mais:
http://www.ensina.rtp.pt/artigo/d-manuel-ii-1889-1932/
http://www.ensina.rtp.pt/artigo/5-de-outubro-1910/
http://www.centenariorepublica.pt/

Fonte: Ruben Castro e Ricardo Ferrand, Grandes datas de Portugal (1096-2007), Texto Editores, Lisboa, 2011.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

À volta dos livros: #3 Luís Sepúlveda - História de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar

SEPÚLVEDA, Luís- História de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar, Porto, Porto Editora, 2015.

Obra recomendada pelo PNL/Plano Nacional de Leitura para alunos do 7°ano-5ème

Estamos em Hamburgo, no norte da Alemanha, os pescadores recolhem as suas embarcações no porto de pesca. De repente, uma gaivota cai ao mar;  num mar poluído com petróleo negro como a noite. Debatendo-se com a lamacenta matéria, consegue finalmente livrar-se dum trágico fim. A muito custo voa até uma varanda onde, antes do último suspiro, dá vida a um belo e alvo ovo. É então que aparece Zorbas, um gato preto, grande e gordo...

Prof. Cecília Morais

sábado, 30 de abril de 2016

À porta da História - RTP



«A série documental que aqui apresentamos traz para o domínio do grande público 13 portugueses que se destacaram no seu tempo e, através das suas ações e/ou da sua obra, conquistaram um lugar na galeria de notáveis. Acima de tudo, são personalidades com percursos inesperados e cheios de curiosidade que nos vão entusiasmar. Personalidades que, por vários acasos do destino, foram deslizando para uma zona obscura do mediatismo histórico. Foram notáveis. Fizeram obra. Muitos deixaram seguidores e influenciaram as gerações seguintes. Mas são, hoje, pouco recordados nas efemérides, nas comemorações, nos manuais escolares, nas páginas de jornais - enfim, na nossa agenda mediática coletiva.»

CLIQUE nos episódios!

1896-1958
jogador, treinador e jornalista desportivo
co-fundador do jornal ABola
«Cidadão do mundo, defensor da liberdade até às últimas consequências, sai do campo de concentração para o campo de futebol. Alentejano, antifascista, funcionário dos CTT, jornalista, jogador, treinador e selecionador nacional, Cândido Fernando Plácido de Oliveira torna-se um espião valioso para os Aliados durante a 2ª Guerra Mundial. Toda a sua vida é uma corrida contra o tempo, mas com que vida é que entra na História?!...»

1894-1981
cantora lírica
autora do muito popular manual de cozinha portuguesa, O livro de Pantagruel
«Numa época em que as mulheres estavam destinadas a serem apenas donas de casa, esta mulher nascida em Moçambique, empreendedora e irreverente, estuda música, viaja pela Europa, lança uma linha de cosméticos e muda para sempre os hábitos culinários dos portugueses. Esta é a história de Bertha Rosa-Limpo, cantora lírica e senhora da alta sociedade lisboeta que não sabia estrelar um ovo quando se casou e que criou o "O Livro de Pantagruel", o manual de cozinha mais popular do séc. XX português.»

1992-1978
economista e professor universitário
estudioso da presença judaica em Portugal
«Economista, intelectual, apaixonado pela História, Moses Bensabat Amzalak, nascido em Lisboa em 1892, tem o grande sonho de trazer mais indústria e saber a um país essencialmente agrícola e cinzento.»

1891-1946
guitarrista e compositor de fado
«O fado é a sua vida e a guitarra a sua voz. Armandinho deixa para a História uma técnica e músicas que continuam a influenciar as novas gerações de guitarristas de fado.»

1884-1960
medico, político, escritor e historiador
«A sua vida é um combate pela liberdade. Da greve académica em 1907, até aos bancos da Assembleia Nacional, este intelectual beirão, amante da terra portuguesa, mas forçado ao exílio, está sempre pronto a largar os livros para lutar contra as ditaduras. Enquanto esse dia não chega, Jaime Zuzarte Cortesão, nascido em 1884, em Ançã, Cantanhede, assina discursos exaltados, poemas heroicos e faz aquilo que mais gosta. Escreve a História que se lê como o prazer de um romance.»

1878-1911
médica e feminista
primeira mulher a votar em Portugal
«Médica-cirurgiã, ativista e sufragista, dividiu as mulheres e uniu os homens. Carolina Beatriz Ângelo, natural da Guarda, foi a 1ª mulher a operar no Hospital de S. José. Derrubou preconceitos. Ganhou e perdeu batalhas. Onde muitos ergueram muros, ela abriu portas, escolhendo sempre o caminho mais difícil: o de não desistir. Foi a primeira mulher a votar em Portugal. Em Maio de 1911 entra numa sala cheia de homens e arriscando a sua reputação...fica na História!»

1868-1933
padre, cientista e inventor
precursor do aproveitamento da energia solar
«Visionário e inventor é padre, cientista e um enigma. Toda a sua vida é uma busca pelo saber. Interessa-se por religião, medicina, engenharia, economia, ecologia e educação. Para este padre nascido em Cendufe, em 1868, a ciência é um instrumento para o bem comum. Incompreendido pelos seus contemporâneos, Manoel António Gomes mais conhecido como Padre Himalaia vive muito à frente do seu tempo. Mas a História dar-lhe-á razão.»

1862-1931
revolucionário republicano
pioneiro do cinema, realizando o primeiro filme em Portugal
«Comerciante de sementes, com gosto pelas flores, captou com a sua máquina fotográfica e o seu imenso talento os últimos dias da monarquia. Apaixonado por tudo o que fazia, Aurélio Paz dos Reis, nascido no Porto, fotógrafo e pioneiro do cinema em Portugal, viveu para provar que uma imagem vale mais que mil palavras. Um dia, saiu à rua imortalizando um acontecimento trivial num dos marcos da História do país.»

1854-1929
escritor e militar
orientalista
«Segue os passos de Camões, Fernão Mendes Pinto e Camilo Pessanha. Parte para as terras do sol nascente. Vive em Macau. Visita a China e apaixona-se pelo Japão. Como não consegue levar Portugal para o Oriente tem a obsessão de trazer o Oriente para Portugal. A história de Venceslau José de Sousa Morais, nascido em 1857, em Lisboa, é um convite à viagem, à descoberta e ao exótico, tudo para que a nossa vida seja um livro de aventuras e não um conto de banalidades.»

1850-1898
oficial da Marinha portuguesa
explorador do continente africano
«Transforma um desafio numa paixão. A grandiosidade da paisagem africana, a surpresa da descoberta de novas terras, animais e costumes são o seu dia-a-dia em viagens solitárias e incertas. Numa época em que Portugal precisa de heróis para defender os seus territórios em África, o jovem explorador não hesita e parte para o desconhecido. Roberto Ivens, nascido em 1850 em Ponta Delgada, Açores, conhecido pelos companheiros de infância pela alcunha de Roberto do Diabo, suporta o cansaço, a fome, a sede, as febres e o desespero e caminha milhares de quilómetros para entrar na História.»

1843-1897
médico e professor universitário
benfeitor público
«A Medicina é a sua vida e a sua religião. Nasce no povo e chega a médico da família real, mas não esquece as suas origens. Vai aos bairros pobres de Lisboa tratar e dar auxílio. Percorre o país e a Europa em busca de conhecimento. Afasta charlatães e curandeiros. Não acredita em mezinhas e rezas. José Thomaz de Sousa Martins, nascido em 1893 em Alhandra, cria uma legião de admiradores em vida que o idolatra na morte. Nasce para ser médico fica para a História como santo.»

1872-1956
aristocrata, escultora
fundadora das Cozinhas Económicas
«Aristocrata numa sociedade burguesa, artista no meio de homens, lutadora entre operários miseráveis. Na arte procura o ideal de beleza, na rua enfrenta a realidade da pobreza. Vive em palácios, trabalha em cozinhas. Sonhadora de impossíveis, Dª Maria Luísa de Sousa Holstein Beck, 3ª Duquesa de Palmela, deixa para a História uma obra social tão duradoura como as suas esculturas.»

1828-1912
poeta, ensaísta
gastrónomo
«Nascido em Bilbau, filho de pai português e mãe espanhola, poeta, monárquico, memorialista, burocrata, gastrónomo e amante de caça percorre os ambientes boémios de Lisboa, nos finais do séc. XIX, em busca de glória. Raimundo António de Bulhão Pato ficará para a História não pela sua veia poética mas pelo nome do petisco que nunca cozinhou mas ao qual deram o seu nome.»

RTP (Langform).svg

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Abril na imprensa...

Hoje, talvez assim fosse pelos jornais deste mundo...

República, PORTUGAL

The Guardian, GRÃ-BRETANHA

Aftonbladet, SUÉCIA

El País, ESPANHA

Le Monde, FRANÇA 

La Repubblica, ITÁLIA

The New York Times, ESTADOS UNIDOS

Novaya Gazeta, RÚSSIA

Süddeutsche Zeitung, ALEMANHA

Politiken, DINAMARCA

De Volkskrant, PAÍSES BAIXOS

Aftenposten, NORUEGA

Asahi Shinbun, JAPÃO


conceção: Miguel Guerra